05 jan 2011

Os segredos para criar meninos e meninas


Eles geralmente gostam de carrinhos e armas e têm mais facilidade para se localizar no espaço. Elas são mais concentradas, adoram fantasiar e, aos 2 anos, já possuem um vasto vocabulário. As diferenças entre meninos e meninas existem e são bem conhecidas por qualquer pessoa que tenha contato com crianças de ambos os sexos. Nas últimas três décadas, porém, essas diferenças foram freqüentemente negadas, sob o argumento de que eram mero resultado do modo como os pais educam os seus filhos. Na luta por direitos iguais para homens e mulheres, virou tabu levantar a hipótese de que a natureza podia, sim, ter sua parcela de responsabilidade nas preferências, nas habilidades e no modo de pensar e de se expressar de cada sexo.
Mas o que se notava era que, independentemente do acesso aos mesmos brinquedos, os meninos continuavam preferindo carrinhos e armas, enquanto as meninas eram atraídas por bonecas e bichinhos de pelúcia. Hoje, novas pesquisas e experimentos sugerem uma forte influência biológica nessas preferências. Há quem questione essas teorias e defenda que até a produção hormonal está ligada a fatores ambientais. “Não se sabe se as diferenças são causa ou conseqüência. Mas não dá para negar que elas existem”, afirma Luiz Celso Pereira Vilanova, professor de neurologia da Unifesp.

A FORÇA DOS HORMÔNIOS

Você já deve ter ouvido falar que as mulheres processam determinadas informações nos dois hemisférios do cérebro, enquanto os homens tendem a utilizar principalmente um deles. A explicação para isso começa ainda no útero da mãe, durante a gestação, e tem como protagonistas os hormônios.

O estrogênio, hormônio predominante na corrente sanguínea das meninas, acelera o crescimento das células do cérebro, favorecendo a conexão entre os dois lados. Nos meninos, a testosterona torna o crescimento cerebral mais lento, principalmente no hemisfério esquerdo. Parece uma desvantagem para os garotos, já que esse é o hemisfério responsável pelo desenvolvimento da linguagem. Mas não é assim: o processo acaba favorecendo o hemisfério direito deles, que responde por habilidades tipicamente associadas ao universo masculino, como a orientação espacial e o raciocínio matemático. Isso não impede que, com estimulação adequada, cada sexo supere as suas defasagens. Tanto que não faltam mulheres matemáticas e físicas nem homens escritores.
Um estudo coordenado pelo psicólogo Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, autor do livro Diferença Essencial (Objetiva), analisou os níveis de testosterona no líquido amniótico de um grupo de gestantes inglesas. Quando as crianças geradas completaram 1 e 2 anos, novas medições do hormônio foram realizadas. A equipe constatou, então, que as crianças com níveis mais baixos de testosterona fetal olhavam mais para o rosto do interlocutor e apresentavam um vocabulário maior, características ligadas ao comportamento feminino – nessa idade, as meninas dominam cerca de 80 palavras, contra 40 dos meninos.
A conclusão do autor é que o cérebro masculino seria mais inclinado à análise e à construção de sistemas, enquanto o feminino possuiria uma tendência natural para a empatia, a comunicação e as relações humanas.
O que os pais podem fazer
MENINOS Todas as crianças precisam receber estímulos variados para desenvolver suas habilidades, mesmo as inatas. Como o cérebro se desenvolve por meio da experiência, é possível estimular também as características opostas de cada sexo. Por isso, ler, contar histórias e conversar com seu filho o ajudará a desenvolver o hemisfério sensorial do cérebro e, por tabela, sua capacidade de expressão.
MENINAS Invista em brinquedos como blocos de montar, quebra-cabeças, microscópios e lupas, que estimulam as capacidades visual e espacial das meninas.
AMBOS Brincar com as palavras ajuda a enriquecer a linguagem. Quando o bebê começar a balbuciar, repita a palavra que ele está tentando dizer e sugira outras semelhantes. Aos poucos, incentive-o também a formar frases. “A criança aprende melhor se você responder a ela uma etapa à frente do estágio em que ela se encontra”, afirma o terapeuta familiar australiano Steve Biddulph, autor do best-seller Criando Meninos.

PREFERÊNCIAS QUE VÊM DE BERÇO

Aparentemente, as diferenças têm início depois dos 2 anos, quando o ambiente já exerceu forte influência sobre a personalidade dos pequenos. Algumas experiências científicas constataram, por exemplo, que os adultos tendem a tratar os bebês do sexo feminino de forma mais carinhosa do que os do sexo masculino.

Uma pesquisa coordenada por Cohen, porém, identificou diferenças de comportamento já nos primeiros meses de vida. O estudo consistiu em mostrar duas imagens a 101 bebês de ambos os sexos e gravar as suas reações. Uma das imagens era um rosto feminino e a outra uma montagem disforme desse mesmo rosto lembrando uma bola. Resultado: 43% dos meninos preferiram olhar para a bola, contra 19,3% das meninas; 37% das garotas focaram o rosto, contra 25% dos garotos; e o restante dividiu a atenção entre as duas imagens.
Outra pesquisa da mesma equipe mostrou que, enquanto brincavam, as meninas de 1 ano olhavam para a mãe 37,5% mais vezes do que os meninos, demonstrando maior interesse pelo estabelecimento de contato pessoal. A sensibilidade ao toque também parece mais acentuada entre as garotas, enquanto eles tendem a se movimentar muito e apreciam espaços amplos para suas brincadeiras. São diferenças sutis, mas que pouco têm a ver com as influências da cultura e do ambiente.

O que os pais podem fazer

MENINOS O fato de os meninos interagirem menos não significa que não precisem de carinho. Quando estiver com seu filho, tente imaginar como você agiria se ele fosse uma menina. Se perceber uma tendência a mudar de comportamento, a ficar mais carinhosa, então é possível que você esteja dando ao pequeno menos carinho do que poderia.

MENINAS É importante estimular as garotas a brincar ao ar livre e praticar atividades físicas. “Jogos e desafios em diferentes espaços ajudam a desenvolver a orientação espacial”, diz Isabel Kahn Marin, professora de psicologia da PUC-SP.
AMBOS O toque é importante para todas as crianças. Enquanto amamenta, busque contato visual com seu bebê. Cante para ele, converse e brinque de fazer caretas para ajudá-lo a aprimorar a capacidade de relacionamento.


APRENDIZAGEM SOB MEDIDA

Suspeita-se que o desenvolvimento cerebral mais lento nos meninos reflete-se sobre sua coordenação motora fina e maturidade intelectual. No início da escolaridade, eles estariam de 6 a 12 meses atrasados em relação às meninas. Com base nesse dado e em sua experiência profissional, Steve Biddulph defende que os garotos entrem na escola um ano mais tarde. Ele também cita exemplos bem-sucedidos de escolas australianas que separam meninos e meninas na hora de ensinar matérias como matemática e línguas. “Na pré-adolescência, os garotos parecem se expressar verbalmente melhor quando não há mulheres em volta, e as meninas se soltam mais quando não estão ao lado deles”, constata.

“A maneira de explicar algumas matérias deveria ser diferente para cada sexo, considerando que as meninas usam uma forma de lógica mais verbal, e os meninos mais dedutiva”, concorda Ceres Alves de Araújo, professora de psicologia da PUC-SP. A ênfase está no respeito às diferenças. “Educar igual não significa dizer as mesmas coisas para ambos, mas, sim, respeitar igualmente as características de cada sexo”, completa a psicóloga Elizabeth Brandão, de São Paulo.
Do ponto de vista neurológico, também é possível estimular as habilidades em defasagem. “Só é preciso tomar cuidado para não criar rejeições”, ressalta Vilanova. Como as pessoas procuram se esquivar daquilo que acham difícil, a abordagem que se faz de cada assunto torna-se extremamente importante. “O ideal é estimular igualmente meninos e meninas em todas as áreas e habilidades para que eles façam as suas escolhas e desenvolvam naturalmente suas aptidões”, completa Ceres.

O que os pais podem fazer

MENINOS Eles, em geral, precisam de explicações lógicas e detalhadas. Caso os pais percebam uma grande dificuldade do filho em acompanhar os estudos, convém negociar com a escola. “É melhor atrasar um ano na escolaridade do que obrigar a criança a conviver com a sensação de estar sempre em defasagem em relação à classe”, defende Biddulph. A tese é polêmica, mas, segundo o terapeuta, forçar os garotos a permanecer sentados e a escrever quando eles ainda não têm a maturidade necessária é condená-los a se sentirem infelizes e a crescer odiando a escola.

MENINAS Se a educação na escola é padronizada, em casa não precisa ser. “Meninas entendem frases complexas e conseguem intuir as explicações”, diz Ceres. Isso porque sua capacidade de integrar informações verbais é maior. Elas vão entender melhor tudo o que fizer parte de uma história, inclusive explicações de matemática e de física.
AMBOS As brincadeiras entre os sexos devem ser estimuladas. “O aprendizado da sociabilidade passa pelo contato com o diferente”, ressalta Isabel Kahn. Ao lidar com a diversidade, os meninos aprendem a controlar a agressividade e são obrigados a aperfeiçoar a linguagem. Já as meninas descobrem como usar a agressividade e se defender.

BRINCAR DE BOLA OU DE CASINHA?

No primeiro ano de vida, as brincadeiras de ambos os sexos são parecidas. Mas perto dos 2 anos, quando começam a fantasiar seus futuros papéis sociais, os meninos já mostram clara predileção por brincadeiras “masculinas”, e as garotas por brincadeiras “femininas”. Para Cohen, a idéia de que apenas a influência social determina a escolha dos brinquedos é improvável, uma vez que crianças de 2 anos, apesar de preferirem os brinquedos típicos de cada sexo, ainda não conhecem os estereótipos – nas pesquisas, ao serem questionadas, elas não sabem diferenciar brinquedos “de menino” e “de menina” e são capazes de sugerir bonecas e carrinhos para meninos ou meninas, indistintamente.

Já Maria Ângela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura, Estudos e Pesquisas do Brincar da PUC-SP, acredita que essas preferências são, sim, influenciadas pelo tipo de brinquedo e estímulo oferecido pelos pais. Tanto que, segundo ela, como os papéis femininos e masculinos vêm se alterando, não é incomum hoje ver um menino brincar de boneca. “Ele provavelmente está repetindo uma situação que presencia em casa”, afirma. Da mesma forma, há cada vez mais meninas interessadas em atividades físicas, jogos e patinetes. Essas mudanças mostram que os dois sexos possuem competências múltiplas, que só precisam de incentivos variados para se desenvolver.

O que os pais podem fazer

MENINOS Deixar disponíveis bonecos em geral, espadas e carrinhos é um convite para jogos que exercitam a fantasia.

MENINAS Favoreça atividades ao ar livre e brinquedos de montar, que mobilizam a capacidade de abstração.
AMBOS A variedade de brinquedos e brincadeiras em qualquer idade é fundamental para estimular múltiplas habilidades. Mas deve-se respeitar as preferências. “Obrigar o garoto a brincar de boneca para que no futuro seja um bom marido não tem nada a ver”, diz Isabel. O que os pais podem fazer é propor situações e brincadeiras variadas. Para conquistar a simpatia dos pequenos para uma atividade nova, nada melhor do que brincar junto. “Brincar com os pais acalma, tranqüiliza e concentra as crianças”, garante a psicóloga.

** STEVE BIDDULPH

Há diferenças entre meninos e meninas desde o nascimento? 

Os meninos têm um desenvolvimento mais lento por causa da influência dos hormônios masculinos no crescimento do cérebro dentro do útero. A defasagem é de cerca de três semanas no nascimento, o que significa que eles precisam de mais conversas, músicas e estímulos sociais para “ligar” sua sociabilidade. Eles também interagem menos do que as garotas. Mas todos os bebês necessitam de amor, conversas divertidas e cuidados.

As meninas são mais preparadas emocionalmente do que os garotos? 

O cérebro feminino conecta melhor sentimentos e palavras. É mais fácil para elas fazer amigos, resolver conflitos e expressar necessidades. Os garotos normalmente não expressam os seus sentimentos com clareza, o que dificulta para os pais a percepção do que vai mal.

Por que seu livro foca os meninos?

Notamos que os adolescentes homens morrem três vezes mais do que as meninas por causas previsíveis e evitáveis, como violência, acidentes de carro e suicídios… Eles também vão pior na escola e, em todo o mundo, já se tornaram minoria nas universidades. Isso não deveria ser um problema – parabéns para as garotas! – se todos que trabalham com garotos não sentissem também que eles não estão atingindo seu potencial. O que queríamos descobrir era por que os nossos meninos hoje estão menos motivados, confiantes e felizes.

Como estimular as áreas em que cada sexo é mais deficiente? 

Oferecendo às crianças todas as experiências, mas separadamente. As meninas devem aprender artes marciais e o uso da força, e os garotos a preparar refeições, mas não da mesma maneira. A minha mensagem mais prática é que todo menino, dos 9 anos em diante, deve cozinhar receitas interessantes uma vez por semana. É uma experiência que faz com que se sintam orgulhosos e úteis. Uma grande lição de vida.


SUGESTÕES DE LEITURA

O que está nas livrarias para ajudar você a aprofundar o tema.

Criando Meninos, Steve Biddulph (Fundamento)
Criando Bebês, Howard Chilton (Fundamento)

Diferença Essencial – A Verdade Sobre o Cérebro de Homens e Mulheres, Simon Baron-Cohen (Objetiva)

** matéria retirada da revista Claudia Bebê de Jan/11

05 jan 2011

Os segredos para criar meninos e meninas


Eles geralmente gostam de carrinhos e armas e têm mais facilidade para se localizar no espaço. Elas são mais concentradas, adoram fantasiar e, aos 2 anos, já possuem um vasto vocabulário. As diferenças entre meninos e meninas existem e são bem conhecidas por qualquer pessoa que tenha contato com crianças de ambos os sexos. Nas últimas três décadas, porém, essas diferenças foram freqüentemente negadas, sob o argumento de que eram mero resultado do modo como os pais educam os seus filhos. Na luta por direitos iguais para homens e mulheres, virou tabu levantar a hipótese de que a natureza podia, sim, ter sua parcela de responsabilidade nas preferências, nas habilidades e no modo de pensar e de se expressar de cada sexo.
Mas o que se notava era que, independentemente do acesso aos mesmos brinquedos, os meninos continuavam preferindo carrinhos e armas, enquanto as meninas eram atraídas por bonecas e bichinhos de pelúcia. Hoje, novas pesquisas e experimentos sugerem uma forte influência biológica nessas preferências. Há quem questione essas teorias e defenda que até a produção hormonal está ligada a fatores ambientais. “Não se sabe se as diferenças são causa ou conseqüência. Mas não dá para negar que elas existem”, afirma Luiz Celso Pereira Vilanova, professor de neurologia da Unifesp.

A FORÇA DOS HORMÔNIOS

Você já deve ter ouvido falar que as mulheres processam determinadas informações nos dois hemisférios do cérebro, enquanto os homens tendem a utilizar principalmente um deles. A explicação para isso começa ainda no útero da mãe, durante a gestação, e tem como protagonistas os hormônios.

O estrogênio, hormônio predominante na corrente sanguínea das meninas, acelera o crescimento das células do cérebro, favorecendo a conexão entre os dois lados. Nos meninos, a testosterona torna o crescimento cerebral mais lento, principalmente no hemisfério esquerdo. Parece uma desvantagem para os garotos, já que esse é o hemisfério responsável pelo desenvolvimento da linguagem. Mas não é assim: o processo acaba favorecendo o hemisfério direito deles, que responde por habilidades tipicamente associadas ao universo masculino, como a orientação espacial e o raciocínio matemático. Isso não impede que, com estimulação adequada, cada sexo supere as suas defasagens. Tanto que não faltam mulheres matemáticas e físicas nem homens escritores.
Um estudo coordenado pelo psicólogo Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, autor do livro Diferença Essencial (Objetiva), analisou os níveis de testosterona no líquido amniótico de um grupo de gestantes inglesas. Quando as crianças geradas completaram 1 e 2 anos, novas medições do hormônio foram realizadas. A equipe constatou, então, que as crianças com níveis mais baixos de testosterona fetal olhavam mais para o rosto do interlocutor e apresentavam um vocabulário maior, características ligadas ao comportamento feminino – nessa idade, as meninas dominam cerca de 80 palavras, contra 40 dos meninos.
A conclusão do autor é que o cérebro masculino seria mais inclinado à análise e à construção de sistemas, enquanto o feminino possuiria uma tendência natural para a empatia, a comunicação e as relações humanas.
O que os pais podem fazer
MENINOS Todas as crianças precisam receber estímulos variados para desenvolver suas habilidades, mesmo as inatas. Como o cérebro se desenvolve por meio da experiência, é possível estimular também as características opostas de cada sexo. Por isso, ler, contar histórias e conversar com seu filho o ajudará a desenvolver o hemisfério sensorial do cérebro e, por tabela, sua capacidade de expressão.
MENINAS Invista em brinquedos como blocos de montar, quebra-cabeças, microscópios e lupas, que estimulam as capacidades visual e espacial das meninas.
AMBOS Brincar com as palavras ajuda a enriquecer a linguagem. Quando o bebê começar a balbuciar, repita a palavra que ele está tentando dizer e sugira outras semelhantes. Aos poucos, incentive-o também a formar frases. “A criança aprende melhor se você responder a ela uma etapa à frente do estágio em que ela se encontra”, afirma o terapeuta familiar australiano Steve Biddulph, autor do best-seller Criando Meninos.

PREFERÊNCIAS QUE VÊM DE BERÇO

Aparentemente, as diferenças têm início depois dos 2 anos, quando o ambiente já exerceu forte influência sobre a personalidade dos pequenos. Algumas experiências científicas constataram, por exemplo, que os adultos tendem a tratar os bebês do sexo feminino de forma mais carinhosa do que os do sexo masculino.

Uma pesquisa coordenada por Cohen, porém, identificou diferenças de comportamento já nos primeiros meses de vida. O estudo consistiu em mostrar duas imagens a 101 bebês de ambos os sexos e gravar as suas reações. Uma das imagens era um rosto feminino e a outra uma montagem disforme desse mesmo rosto lembrando uma bola. Resultado: 43% dos meninos preferiram olhar para a bola, contra 19,3% das meninas; 37% das garotas focaram o rosto, contra 25% dos garotos; e o restante dividiu a atenção entre as duas imagens.
Outra pesquisa da mesma equipe mostrou que, enquanto brincavam, as meninas de 1 ano olhavam para a mãe 37,5% mais vezes do que os meninos, demonstrando maior interesse pelo estabelecimento de contato pessoal. A sensibilidade ao toque também parece mais acentuada entre as garotas, enquanto eles tendem a se movimentar muito e apreciam espaços amplos para suas brincadeiras. São diferenças sutis, mas que pouco têm a ver com as influências da cultura e do ambiente.

O que os pais podem fazer

MENINOS O fato de os meninos interagirem menos não significa que não precisem de carinho. Quando estiver com seu filho, tente imaginar como você agiria se ele fosse uma menina. Se perceber uma tendência a mudar de comportamento, a ficar mais carinhosa, então é possível que você esteja dando ao pequeno menos carinho do que poderia.

MENINAS É importante estimular as garotas a brincar ao ar livre e praticar atividades físicas. “Jogos e desafios em diferentes espaços ajudam a desenvolver a orientação espacial”, diz Isabel Kahn Marin, professora de psicologia da PUC-SP.
AMBOS O toque é importante para todas as crianças. Enquanto amamenta, busque contato visual com seu bebê. Cante para ele, converse e brinque de fazer caretas para ajudá-lo a aprimorar a capacidade de relacionamento.


APRENDIZAGEM SOB MEDIDA

Suspeita-se que o desenvolvimento cerebral mais lento nos meninos reflete-se sobre sua coordenação motora fina e maturidade intelectual. No início da escolaridade, eles estariam de 6 a 12 meses atrasados em relação às meninas. Com base nesse dado e em sua experiência profissional, Steve Biddulph defende que os garotos entrem na escola um ano mais tarde. Ele também cita exemplos bem-sucedidos de escolas australianas que separam meninos e meninas na hora de ensinar matérias como matemática e línguas. “Na pré-adolescência, os garotos parecem se expressar verbalmente melhor quando não há mulheres em volta, e as meninas se soltam mais quando não estão ao lado deles”, constata.

“A maneira de explicar algumas matérias deveria ser diferente para cada sexo, considerando que as meninas usam uma forma de lógica mais verbal, e os meninos mais dedutiva”, concorda Ceres Alves de Araújo, professora de psicologia da PUC-SP. A ênfase está no respeito às diferenças. “Educar igual não significa dizer as mesmas coisas para ambos, mas, sim, respeitar igualmente as características de cada sexo”, completa a psicóloga Elizabeth Brandão, de São Paulo.
Do ponto de vista neurológico, também é possível estimular as habilidades em defasagem. “Só é preciso tomar cuidado para não criar rejeições”, ressalta Vilanova. Como as pessoas procuram se esquivar daquilo que acham difícil, a abordagem que se faz de cada assunto torna-se extremamente importante. “O ideal é estimular igualmente meninos e meninas em todas as áreas e habilidades para que eles façam as suas escolhas e desenvolvam naturalmente suas aptidões”, completa Ceres.

O que os pais podem fazer

MENINOS Eles, em geral, precisam de explicações lógicas e detalhadas. Caso os pais percebam uma grande dificuldade do filho em acompanhar os estudos, convém negociar com a escola. “É melhor atrasar um ano na escolaridade do que obrigar a criança a conviver com a sensação de estar sempre em defasagem em relação à classe”, defende Biddulph. A tese é polêmica, mas, segundo o terapeuta, forçar os garotos a permanecer sentados e a escrever quando eles ainda não têm a maturidade necessária é condená-los a se sentirem infelizes e a crescer odiando a escola.

MENINAS Se a educação na escola é padronizada, em casa não precisa ser. “Meninas entendem frases complexas e conseguem intuir as explicações”, diz Ceres. Isso porque sua capacidade de integrar informações verbais é maior. Elas vão entender melhor tudo o que fizer parte de uma história, inclusive explicações de matemática e de física.
AMBOS As brincadeiras entre os sexos devem ser estimuladas. “O aprendizado da sociabilidade passa pelo contato com o diferente”, ressalta Isabel Kahn. Ao lidar com a diversidade, os meninos aprendem a controlar a agressividade e são obrigados a aperfeiçoar a linguagem. Já as meninas descobrem como usar a agressividade e se defender.

BRINCAR DE BOLA OU DE CASINHA?

No primeiro ano de vida, as brincadeiras de ambos os sexos são parecidas. Mas perto dos 2 anos, quando começam a fantasiar seus futuros papéis sociais, os meninos já mostram clara predileção por brincadeiras “masculinas”, e as garotas por brincadeiras “femininas”. Para Cohen, a idéia de que apenas a influência social determina a escolha dos brinquedos é improvável, uma vez que crianças de 2 anos, apesar de preferirem os brinquedos típicos de cada sexo, ainda não conhecem os estereótipos – nas pesquisas, ao serem questionadas, elas não sabem diferenciar brinquedos “de menino” e “de menina” e são capazes de sugerir bonecas e carrinhos para meninos ou meninas, indistintamente.

Já Maria Ângela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura, Estudos e Pesquisas do Brincar da PUC-SP, acredita que essas preferências são, sim, influenciadas pelo tipo de brinquedo e estímulo oferecido pelos pais. Tanto que, segundo ela, como os papéis femininos e masculinos vêm se alterando, não é incomum hoje ver um menino brincar de boneca. “Ele provavelmente está repetindo uma situação que presencia em casa”, afirma. Da mesma forma, há cada vez mais meninas interessadas em atividades físicas, jogos e patinetes. Essas mudanças mostram que os dois sexos possuem competências múltiplas, que só precisam de incentivos variados para se desenvolver.

O que os pais podem fazer

MENINOS Deixar disponíveis bonecos em geral, espadas e carrinhos é um convite para jogos que exercitam a fantasia.

MENINAS Favoreça atividades ao ar livre e brinquedos de montar, que mobilizam a capacidade de abstração.
AMBOS A variedade de brinquedos e brincadeiras em qualquer idade é fundamental para estimular múltiplas habilidades. Mas deve-se respeitar as preferências. “Obrigar o garoto a brincar de boneca para que no futuro seja um bom marido não tem nada a ver”, diz Isabel. O que os pais podem fazer é propor situações e brincadeiras variadas. Para conquistar a simpatia dos pequenos para uma atividade nova, nada melhor do que brincar junto. “Brincar com os pais acalma, tranqüiliza e concentra as crianças”, garante a psicóloga.

** STEVE BIDDULPH

Há diferenças entre meninos e meninas desde o nascimento? 

Os meninos têm um desenvolvimento mais lento por causa da influência dos hormônios masculinos no crescimento do cérebro dentro do útero. A defasagem é de cerca de três semanas no nascimento, o que significa que eles precisam de mais conversas, músicas e estímulos sociais para “ligar” sua sociabilidade. Eles também interagem menos do que as garotas. Mas todos os bebês necessitam de amor, conversas divertidas e cuidados.

As meninas são mais preparadas emocionalmente do que os garotos? 

O cérebro feminino conecta melhor sentimentos e palavras. É mais fácil para elas fazer amigos, resolver conflitos e expressar necessidades. Os garotos normalmente não expressam os seus sentimentos com clareza, o que dificulta para os pais a percepção do que vai mal.

Por que seu livro foca os meninos?

Notamos que os adolescentes homens morrem três vezes mais do que as meninas por causas previsíveis e evitáveis, como violência, acidentes de carro e suicídios… Eles também vão pior na escola e, em todo o mundo, já se tornaram minoria nas universidades. Isso não deveria ser um problema – parabéns para as garotas! – se todos que trabalham com garotos não sentissem também que eles não estão atingindo seu potencial. O que queríamos descobrir era por que os nossos meninos hoje estão menos motivados, confiantes e felizes.

Como estimular as áreas em que cada sexo é mais deficiente? 

Oferecendo às crianças todas as experiências, mas separadamente. As meninas devem aprender artes marciais e o uso da força, e os garotos a preparar refeições, mas não da mesma maneira. A minha mensagem mais prática é que todo menino, dos 9 anos em diante, deve cozinhar receitas interessantes uma vez por semana. É uma experiência que faz com que se sintam orgulhosos e úteis. Uma grande lição de vida.


SUGESTÕES DE LEITURA

O que está nas livrarias para ajudar você a aprofundar o tema.

Criando Meninos, Steve Biddulph (Fundamento)
Criando Bebês, Howard Chilton (Fundamento)

Diferença Essencial – A Verdade Sobre o Cérebro de Homens e Mulheres, Simon Baron-Cohen (Objetiva)

** matéria retirada da revista Claudia Bebê de Jan/11

12 dez 2010

Galpão do Circo – dicas de férias II


A dica de férias de hoje é do Galpão do Circo um espaço propício para vc levar suas crianças para terem aulas circenses, que as ajudam em seu desenvolvimento, interatividade e muito mais. O local tb tem possui um espaço destinado para locação para festa de aniversário que vale muito a pena conferir.
Em funcionamento desde 1997, o Galpão do Circo é um núcleo voltado ao ensino, à pesquisa e ao desenvolvimento pedagógico das artes circenses. É a maior escola de circo com o maior número de alunos em cursos de lazer no Brasil.
São oferecidas aulas de: Acrobacia, tecido e trapézio, acrobalance, palhaço, malabares, e circo para idade de 6 a 16 anos. Todas as aulas são extremamente preparadas para atender as expectativa e necessidades de cada criança em sua faze de vida.
O espaço fica na Rua Girassol, 323 – Vl. Madalena – SP e contará com cursos de férias para crianças de todas as idades.
Aproveitem essa dica!!!


12 dez 2010

Galpão do Circo – dicas de férias II


A dica de férias de hoje é do Galpão do Circo um espaço propício para vc levar suas crianças para terem aulas circenses, que as ajudam em seu desenvolvimento, interatividade e muito mais. O local tb tem possui um espaço destinado para locação para festa de aniversário que vale muito a pena conferir.
Em funcionamento desde 1997, o Galpão do Circo é um núcleo voltado ao ensino, à pesquisa e ao desenvolvimento pedagógico das artes circenses. É a maior escola de circo com o maior número de alunos em cursos de lazer no Brasil.
São oferecidas aulas de: Acrobacia, tecido e trapézio, acrobalance, palhaço, malabares, e circo para idade de 6 a 16 anos. Todas as aulas são extremamente preparadas para atender as expectativa e necessidades de cada criança em sua faze de vida.
O espaço fica na Rua Girassol, 323 – Vl. Madalena – SP e contará com cursos de férias para crianças de todas as idades.
Aproveitem essa dica!!!


07 dez 2010

Gymboree Play & Music


Gymboree Play & Music Líder Mundial em Programas de Desenvolvimento Infantil

No Gymboree Play & Music, crescidos e pequeninos desenvolvem a criatividade e a confiança e constroem amizades para a vida. Os programas Gymboree são especialmente concebidos para apoiar a aprendizagem do seu filho  – como participar no seu crescimento e estimular o seu desenvolvimento – enquanto se divertem através do simples prazer de brincarem juntos.

No Gymboree as relações e as experiências que ocorrem nos primeiros anos de vida têm um grande impacto no futuro da criança. De fato, o cérebro está mais ativo nos primeiros três anos, nos quais crescerá até 80% do seu tamanho adulto.

Concebido por peritos e profissionais, as atividades adequadas a cada idade o programa de aprendizagem do Gymboree é um meio de excelência para apoiar este desenvolvimento. Com mais de 30 anos de experiência, este programa centra-se na criança como um todo, com o objetivo de ajudá-las a adquirir as competências chave – capacidades motoras, sociais e de auto-estima de que irão necessitar para se tornarem adultos confiantes, felizes e bem sucedidos.

• Gymboree, Brincar e Aprender
A aula mais popular! Estimula o desenvolvimento global  da criança através de brincadeiras e novas descobertas. Este programa possui 7 níveis para apoiar o crescimento da criança, respeitando o seu ritmo.

• Música
Estimula o desenvolvimento e gosto pela música, do seu filho, através de brincadeiras com canções, dança, jogos de movimento e exploração de instrumentos musicais.

• Arte
Inspira a imaginação do seu filho e a expressão do ser através de um mundo de atividades artísticas que envolvem os cinco sentidos.

• Esporte
Estimula hábitos saudáveis e uma atitude positiva face à atividade física através de divertidos jogos esportivos.

• Família
Traga os seus filhos juntos à aula e experimente as divertidas atividades de aprendizagem criadas para irmãos.

• Competências Escolares
Promove as competências sociais e intelectuais necessárias para a escola, e para a vida, através do desenvolvimento da linguagem, da arte, da exploração da ciência, de jogos em grupo e muito mais.

Espero que gostem da dica… só um porém, por enquanto, apenas as mamães e suas crianças cariocas poderam usufruir deste benefício.

Gymboree Brasil (Matriz & Play Center)
Downtown Shopping (Av. da Americas 500)
Bloco 12 – Loja 105 – Rio de Janeiro

Bjo, bjo

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