02 fev 2011

Primeiro dia na escola



… Dando continuidade ao tema da semana… Vou falar hoje do primeiro dia de aula que para algumas mães é quase uma tortura chinesa ;-))


“Parecia que o Gabriel estava indo para o Exército. Eu me debulhei em lágrimas”, conta a professora de inglês paulista Ariana Verdi, 42 anos, mãe do garoto de 2. A reação de Ariana é compreensível. Afinal, o primeiríssimo dia de aula de uma criança marca o início de sua independência, algo encarado com um misto de ansiedade e culpa por muitos pais. Foi o que mostrou uma pesquisa realizada em Curitiba, no Paraná.


O trabalho revelou que 22% das mulheres de nível socieconômico privilegiado se sentem culpadas por deixar seus pequenos na escola. Entre as de baixa renda, esse índice é de apenas 3%. “No primeiro caso as mães procuram realização pessoal”, explica a psicóloga Lidia Weber, autora do trabalho. “Elas acham que dão mais importância à carreira em detrimento dos filhos”, completa a professora da Universidade Federal do Paraná. “Já as do segundo grupo trabalham por necessidade. Se pudessem parar, ficariam em casa.”

Os especialistas garantem: é normal os pais vivenciarem esse tipo de sentimento. “Eles apenas devem se controlar para não contaminar o filho. A criança é como uma esponja: absorve tudo”, diz a psicóloga. Esse cuidado é importante, porque ir à escola desde muito cedo só faz bem, atestam diversos estudos. “Essa é a fase da vida de maior desenvolvimento cognitivo e emocional”, diz Fernanda Nedopetalski, coordenadora pedagógica da Escola de Educação Infantil Quintal, em São Paulo. “No colégio as crianças têm estímulos o tempo todo.”

É claro que os pequenos também podem estranhar a nova realidade, o que não deixa de revelar certas carências. Por exemplo: o moleque que faz escândalo durante a despedida no portão da escola é classificado pelos psicólogos como ansioso e precisa reafirmar o companheirismo dos pais. Segundo padrões internacionais, 19% dos meninos e das meninas se encaixariam nessa definição. Por outro lado, 21% da garotada seria do tipo apático, ou seja, não demonstra interesse pela aula nem mostra felicidade no horário de saída, quando pode ir para casa. Aí a solução é dar mais e mais carinho.

Aliás, a escola é de grande valia nas duas situações. “O importante é ir aos poucos no processo de adaptação. Um dos pais deve permanecer na escola até a criança ficar à vontade”, opina Silvana Leporace, que trabalha com orientação educacional no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Em geral, porém, cerca de 60% da criançada é considerada segura. Logo, logo entra direto na sala de aula, mal se despedindo dos pais — que, cá entre nós, na hora agá até sofrem um pouco com o desdém. Mas ele é um ótimo sinal. “Essa criança tem certeza de que eles a amam e vão buscá-la ao final do dia”, diz Lidia. Aí, quem precisa se acalmar é o pai ou a mãe.

O modo como seu filho reage…
…na escola revela alguns traços de sua personalidade

Seguro
É aquele que faz pouca ou nenhuma manha ao ser deixado no colégio. Depois da aula recebe os pais com entusiasmo. Representa cerca de 60% da molecada.

Ansioso
Sabe aquela criança que chora muito e protesta só de avistar o portão da escola? É esse o tipo. Passa boa parte da aula vigilante para ver se os pais já vieram buscá-la. Entre os pequenos, 19% se enquadram nessa categoria.

Apático
Ele se mostra desinteressado. Depois das aulas evita os pais no reencontro, como se estivesse se vingando por ter sido deixado na escola. São assim cerca de 21% dos meninos e das meninas.


Sem traumas
Algumas dicas para um início de vida escolar tranqüilo

• Visite a escola antes do começo das aulas. Assim você se sente seguro quanto às instalações e seu filho logo se ambienta.

• Nada de chororô. Em vez disso, diga frases como: “Agora você vai fazer um monte de coisas legais, depois a gente vem buscá-lo”.

• Fique atento nos sinais. Se a criança sempre alega dores bem na hora de ir à escola, se chora ou demonstra ansiedade antes de toda aula, investigue os motivos em parceria com o colégio.



02 fev 2011

Primeiro dia na escola



… Dando continuidade ao tema da semana… Vou falar hoje do primeiro dia de aula que para algumas mães é quase uma tortura chinesa ;-))


“Parecia que o Gabriel estava indo para o Exército. Eu me debulhei em lágrimas”, conta a professora de inglês paulista Ariana Verdi, 42 anos, mãe do garoto de 2. A reação de Ariana é compreensível. Afinal, o primeiríssimo dia de aula de uma criança marca o início de sua independência, algo encarado com um misto de ansiedade e culpa por muitos pais. Foi o que mostrou uma pesquisa realizada em Curitiba, no Paraná.


O trabalho revelou que 22% das mulheres de nível socieconômico privilegiado se sentem culpadas por deixar seus pequenos na escola. Entre as de baixa renda, esse índice é de apenas 3%. “No primeiro caso as mães procuram realização pessoal”, explica a psicóloga Lidia Weber, autora do trabalho. “Elas acham que dão mais importância à carreira em detrimento dos filhos”, completa a professora da Universidade Federal do Paraná. “Já as do segundo grupo trabalham por necessidade. Se pudessem parar, ficariam em casa.”

Os especialistas garantem: é normal os pais vivenciarem esse tipo de sentimento. “Eles apenas devem se controlar para não contaminar o filho. A criança é como uma esponja: absorve tudo”, diz a psicóloga. Esse cuidado é importante, porque ir à escola desde muito cedo só faz bem, atestam diversos estudos. “Essa é a fase da vida de maior desenvolvimento cognitivo e emocional”, diz Fernanda Nedopetalski, coordenadora pedagógica da Escola de Educação Infantil Quintal, em São Paulo. “No colégio as crianças têm estímulos o tempo todo.”

É claro que os pequenos também podem estranhar a nova realidade, o que não deixa de revelar certas carências. Por exemplo: o moleque que faz escândalo durante a despedida no portão da escola é classificado pelos psicólogos como ansioso e precisa reafirmar o companheirismo dos pais. Segundo padrões internacionais, 19% dos meninos e das meninas se encaixariam nessa definição. Por outro lado, 21% da garotada seria do tipo apático, ou seja, não demonstra interesse pela aula nem mostra felicidade no horário de saída, quando pode ir para casa. Aí a solução é dar mais e mais carinho.

Aliás, a escola é de grande valia nas duas situações. “O importante é ir aos poucos no processo de adaptação. Um dos pais deve permanecer na escola até a criança ficar à vontade”, opina Silvana Leporace, que trabalha com orientação educacional no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Em geral, porém, cerca de 60% da criançada é considerada segura. Logo, logo entra direto na sala de aula, mal se despedindo dos pais — que, cá entre nós, na hora agá até sofrem um pouco com o desdém. Mas ele é um ótimo sinal. “Essa criança tem certeza de que eles a amam e vão buscá-la ao final do dia”, diz Lidia. Aí, quem precisa se acalmar é o pai ou a mãe.

O modo como seu filho reage…
…na escola revela alguns traços de sua personalidade

Seguro
É aquele que faz pouca ou nenhuma manha ao ser deixado no colégio. Depois da aula recebe os pais com entusiasmo. Representa cerca de 60% da molecada.

Ansioso
Sabe aquela criança que chora muito e protesta só de avistar o portão da escola? É esse o tipo. Passa boa parte da aula vigilante para ver se os pais já vieram buscá-la. Entre os pequenos, 19% se enquadram nessa categoria.

Apático
Ele se mostra desinteressado. Depois das aulas evita os pais no reencontro, como se estivesse se vingando por ter sido deixado na escola. São assim cerca de 21% dos meninos e das meninas.


Sem traumas
Algumas dicas para um início de vida escolar tranqüilo

• Visite a escola antes do começo das aulas. Assim você se sente seguro quanto às instalações e seu filho logo se ambienta.

• Nada de chororô. Em vez disso, diga frases como: “Agora você vai fazer um monte de coisas legais, depois a gente vem buscá-lo”.

• Fique atento nos sinais. Se a criança sempre alega dores bem na hora de ir à escola, se chora ou demonstra ansiedade antes de toda aula, investigue os motivos em parceria com o colégio.



01 fev 2011

Adaptação da criança na escola


Esta semana vou fazer um especial sobre a adaptação das crianças nas escolas. Com o início do ano letivo muitas mamães vão passar pela dúvida de introduzir ou não seus pequenos… Acredito que as perguntas a seguir poderão ajudar muito nesta hora!!!





É mais fácil para a mãe deixar um filho maior na escola do que um bebê no berçário. Mas, para a criança, a situação é inversa. Quanto mais velho, mais ele se ressente da separação. Isso significa trabalho dobrado na hora da adaptação. Mas, com paciência, ternura e as dicas a seguir, tudo termina bem.

Saber lidar com a insegurança da criança
Crianças sofrem mais do que bebês diante da separação da mãe. Por isso, a adaptação do pequeno na escola costuma ser mais trabalhosa. O melhor método é manter o novo aluno por períodos curtos com os professores. Assim, quando ele ameaça se desesperar, um conhecido aparece. Nos primeiros dias, vale a pena permanecer na escola e deixar o filho com um educador para “ir ao banheiro”. Com o tempo, dá para ir espaçando esses períodos. Em geral, a adaptação dura uma semana, mas pode se prolongar – não existe uma regra.

Manter a calma para transmitir tranqüilidade
O estado emocional do adulto se reflete na criança. Por isso, os pais ou os responsáveis precisam ter certeza do que estão fazendo para transmitir essa segurança ao pequeno. Nesse sentido, a escolha da escola, e de seu projeto pedagógico, tem de ser suficientemente criteriosa para dar a você a confiança necessária para deixar seu filho lá sem aquele medo além do normal. Na prática, é preciso estar convicto de que se está fazendo o melhor pela criança. Caso contrário, o risco de seu filho chorar, espernear, chutar, cuspir, arremessar brinquedos é grande, o que o levará a repudiar a escola. Conversas com coordenadores pedagógicos e visitas prévias ao local durante as aulas para observar o comportamento dos educadores fazem toda a diferença.

Nunca mentir para o filho
Falar a verdade para a criança é fundamental em uma situação tão nova e amedrontadora como os primeiros dias na escola. Por isso, nunca diga que só vai até ali e já volta se não for realmente cumprir isso. A mentira intensifica a insegurança da criança e pode tornar a adaptação ainda mais traumática. O pequeno precisa acreditar que a mãe está por perto para desenvolver a segurança interna.

Cativar para distrair
O processo de adaptação de uma criança na escola mais parece uma competição por atenção. De um lado, a mãe e, do outro, as atividades propostas pelos educadores. Por isso, uma maneira interessante de tornar essa disputa menos desleal é informar à escola algumas preferências do pequeno. Alguns gostam de animais, outros preferem brincar com água e há aqueles que se esquecem da vida quando estão desenhando.

Observar sinais de alerta
A entrada na escola representa um momento de provação para a criança. Lá ela terá de demonstrar suas habilidades desenvolvidas durante os primeiros anos de vida. Essa experiência pode ser prazerosa e permitir ao pequeno exercitar sua capacidade de conviver com pares e obedecer a ordens de adultos que não sejam seus pais. Mas esse novo ambiente pode gerar ansiedade e, se faltar habilidade social ou sobrar dificuldade emocional para se separar da mãe, o pequeno pode apresentar sintomas físicos associados ao medo e ao estresse, como dor na barriga, dor de cabeça, enjôo e vômitos, entre outros. Outros sinais são a retração e a agressividade excessivas. Nesse caso, vale a pena reavaliar a situação. Forçar a criança a ficar contra a sua vontade pode não ser a melhor estratégia.

Evitar muitas mudanças ao mesmo tempo
Alterações de rotina estressam as crianças. A disciplina significa segurança para elas. Por isso, é preciso escolher com cautela o período em que se vai adaptar um filho pequeno à escola. Fatos importantes, como retirada de fralda, abandono da chupeta, mudança ou reforma de casa, perda familiar, nascimento do irmão, contratação de nova babá, separação dos pais ou algo que impacte direta ou indiretamente a rotina dele, vão tornar qualquer adaptação muito mais complicada. Ou seja, garanta que a principal mudança na vida do seu filho durante o período de adaptação seja mesmo a escola.

Uma coisa é cuidar, e outra é brincar
Deixar um filho na escola gera culpa. A separação sempre é difícil. Mas é possível reverter a situação em algo positivo. Procure usar o tempo que você está longe dele como um estímulo para aproveitar o máximo possível os instantes em que estão juntos. Muita gente perde tempo cuidando dos pequenos quando na realidade o que eles querem é brincar. Faça isso, brinque com seu filho, transforme as tarefas da escola em momentos divertidos… Isso certamente tornará a adaptação bem mais tranqüila.


01 fev 2011

Adaptação da criança na escola


Esta semana vou fazer um especial sobre a adaptação das crianças nas escolas. Com o início do ano letivo muitas mamães vão passar pela dúvida de introduzir ou não seus pequenos… Acredito que as perguntas a seguir poderão ajudar muito nesta hora!!!





É mais fácil para a mãe deixar um filho maior na escola do que um bebê no berçário. Mas, para a criança, a situação é inversa. Quanto mais velho, mais ele se ressente da separação. Isso significa trabalho dobrado na hora da adaptação. Mas, com paciência, ternura e as dicas a seguir, tudo termina bem.

Saber lidar com a insegurança da criança
Crianças sofrem mais do que bebês diante da separação da mãe. Por isso, a adaptação do pequeno na escola costuma ser mais trabalhosa. O melhor método é manter o novo aluno por períodos curtos com os professores. Assim, quando ele ameaça se desesperar, um conhecido aparece. Nos primeiros dias, vale a pena permanecer na escola e deixar o filho com um educador para “ir ao banheiro”. Com o tempo, dá para ir espaçando esses períodos. Em geral, a adaptação dura uma semana, mas pode se prolongar – não existe uma regra.

Manter a calma para transmitir tranqüilidade
O estado emocional do adulto se reflete na criança. Por isso, os pais ou os responsáveis precisam ter certeza do que estão fazendo para transmitir essa segurança ao pequeno. Nesse sentido, a escolha da escola, e de seu projeto pedagógico, tem de ser suficientemente criteriosa para dar a você a confiança necessária para deixar seu filho lá sem aquele medo além do normal. Na prática, é preciso estar convicto de que se está fazendo o melhor pela criança. Caso contrário, o risco de seu filho chorar, espernear, chutar, cuspir, arremessar brinquedos é grande, o que o levará a repudiar a escola. Conversas com coordenadores pedagógicos e visitas prévias ao local durante as aulas para observar o comportamento dos educadores fazem toda a diferença.

Nunca mentir para o filho
Falar a verdade para a criança é fundamental em uma situação tão nova e amedrontadora como os primeiros dias na escola. Por isso, nunca diga que só vai até ali e já volta se não for realmente cumprir isso. A mentira intensifica a insegurança da criança e pode tornar a adaptação ainda mais traumática. O pequeno precisa acreditar que a mãe está por perto para desenvolver a segurança interna.

Cativar para distrair
O processo de adaptação de uma criança na escola mais parece uma competição por atenção. De um lado, a mãe e, do outro, as atividades propostas pelos educadores. Por isso, uma maneira interessante de tornar essa disputa menos desleal é informar à escola algumas preferências do pequeno. Alguns gostam de animais, outros preferem brincar com água e há aqueles que se esquecem da vida quando estão desenhando.

Observar sinais de alerta
A entrada na escola representa um momento de provação para a criança. Lá ela terá de demonstrar suas habilidades desenvolvidas durante os primeiros anos de vida. Essa experiência pode ser prazerosa e permitir ao pequeno exercitar sua capacidade de conviver com pares e obedecer a ordens de adultos que não sejam seus pais. Mas esse novo ambiente pode gerar ansiedade e, se faltar habilidade social ou sobrar dificuldade emocional para se separar da mãe, o pequeno pode apresentar sintomas físicos associados ao medo e ao estresse, como dor na barriga, dor de cabeça, enjôo e vômitos, entre outros. Outros sinais são a retração e a agressividade excessivas. Nesse caso, vale a pena reavaliar a situação. Forçar a criança a ficar contra a sua vontade pode não ser a melhor estratégia.

Evitar muitas mudanças ao mesmo tempo
Alterações de rotina estressam as crianças. A disciplina significa segurança para elas. Por isso, é preciso escolher com cautela o período em que se vai adaptar um filho pequeno à escola. Fatos importantes, como retirada de fralda, abandono da chupeta, mudança ou reforma de casa, perda familiar, nascimento do irmão, contratação de nova babá, separação dos pais ou algo que impacte direta ou indiretamente a rotina dele, vão tornar qualquer adaptação muito mais complicada. Ou seja, garanta que a principal mudança na vida do seu filho durante o período de adaptação seja mesmo a escola.

Uma coisa é cuidar, e outra é brincar
Deixar um filho na escola gera culpa. A separação sempre é difícil. Mas é possível reverter a situação em algo positivo. Procure usar o tempo que você está longe dele como um estímulo para aproveitar o máximo possível os instantes em que estão juntos. Muita gente perde tempo cuidando dos pequenos quando na realidade o que eles querem é brincar. Faça isso, brinque com seu filho, transforme as tarefas da escola em momentos divertidos… Isso certamente tornará a adaptação bem mais tranqüila.


05 jan 2011

Os segredos para criar meninos e meninas


Eles geralmente gostam de carrinhos e armas e têm mais facilidade para se localizar no espaço. Elas são mais concentradas, adoram fantasiar e, aos 2 anos, já possuem um vasto vocabulário. As diferenças entre meninos e meninas existem e são bem conhecidas por qualquer pessoa que tenha contato com crianças de ambos os sexos. Nas últimas três décadas, porém, essas diferenças foram freqüentemente negadas, sob o argumento de que eram mero resultado do modo como os pais educam os seus filhos. Na luta por direitos iguais para homens e mulheres, virou tabu levantar a hipótese de que a natureza podia, sim, ter sua parcela de responsabilidade nas preferências, nas habilidades e no modo de pensar e de se expressar de cada sexo.
Mas o que se notava era que, independentemente do acesso aos mesmos brinquedos, os meninos continuavam preferindo carrinhos e armas, enquanto as meninas eram atraídas por bonecas e bichinhos de pelúcia. Hoje, novas pesquisas e experimentos sugerem uma forte influência biológica nessas preferências. Há quem questione essas teorias e defenda que até a produção hormonal está ligada a fatores ambientais. “Não se sabe se as diferenças são causa ou conseqüência. Mas não dá para negar que elas existem”, afirma Luiz Celso Pereira Vilanova, professor de neurologia da Unifesp.

A FORÇA DOS HORMÔNIOS

Você já deve ter ouvido falar que as mulheres processam determinadas informações nos dois hemisférios do cérebro, enquanto os homens tendem a utilizar principalmente um deles. A explicação para isso começa ainda no útero da mãe, durante a gestação, e tem como protagonistas os hormônios.

O estrogênio, hormônio predominante na corrente sanguínea das meninas, acelera o crescimento das células do cérebro, favorecendo a conexão entre os dois lados. Nos meninos, a testosterona torna o crescimento cerebral mais lento, principalmente no hemisfério esquerdo. Parece uma desvantagem para os garotos, já que esse é o hemisfério responsável pelo desenvolvimento da linguagem. Mas não é assim: o processo acaba favorecendo o hemisfério direito deles, que responde por habilidades tipicamente associadas ao universo masculino, como a orientação espacial e o raciocínio matemático. Isso não impede que, com estimulação adequada, cada sexo supere as suas defasagens. Tanto que não faltam mulheres matemáticas e físicas nem homens escritores.
Um estudo coordenado pelo psicólogo Simon Baron-Cohen, da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, autor do livro Diferença Essencial (Objetiva), analisou os níveis de testosterona no líquido amniótico de um grupo de gestantes inglesas. Quando as crianças geradas completaram 1 e 2 anos, novas medições do hormônio foram realizadas. A equipe constatou, então, que as crianças com níveis mais baixos de testosterona fetal olhavam mais para o rosto do interlocutor e apresentavam um vocabulário maior, características ligadas ao comportamento feminino – nessa idade, as meninas dominam cerca de 80 palavras, contra 40 dos meninos.
A conclusão do autor é que o cérebro masculino seria mais inclinado à análise e à construção de sistemas, enquanto o feminino possuiria uma tendência natural para a empatia, a comunicação e as relações humanas.
O que os pais podem fazer
MENINOS Todas as crianças precisam receber estímulos variados para desenvolver suas habilidades, mesmo as inatas. Como o cérebro se desenvolve por meio da experiência, é possível estimular também as características opostas de cada sexo. Por isso, ler, contar histórias e conversar com seu filho o ajudará a desenvolver o hemisfério sensorial do cérebro e, por tabela, sua capacidade de expressão.
MENINAS Invista em brinquedos como blocos de montar, quebra-cabeças, microscópios e lupas, que estimulam as capacidades visual e espacial das meninas.
AMBOS Brincar com as palavras ajuda a enriquecer a linguagem. Quando o bebê começar a balbuciar, repita a palavra que ele está tentando dizer e sugira outras semelhantes. Aos poucos, incentive-o também a formar frases. “A criança aprende melhor se você responder a ela uma etapa à frente do estágio em que ela se encontra”, afirma o terapeuta familiar australiano Steve Biddulph, autor do best-seller Criando Meninos.

PREFERÊNCIAS QUE VÊM DE BERÇO

Aparentemente, as diferenças têm início depois dos 2 anos, quando o ambiente já exerceu forte influência sobre a personalidade dos pequenos. Algumas experiências científicas constataram, por exemplo, que os adultos tendem a tratar os bebês do sexo feminino de forma mais carinhosa do que os do sexo masculino.

Uma pesquisa coordenada por Cohen, porém, identificou diferenças de comportamento já nos primeiros meses de vida. O estudo consistiu em mostrar duas imagens a 101 bebês de ambos os sexos e gravar as suas reações. Uma das imagens era um rosto feminino e a outra uma montagem disforme desse mesmo rosto lembrando uma bola. Resultado: 43% dos meninos preferiram olhar para a bola, contra 19,3% das meninas; 37% das garotas focaram o rosto, contra 25% dos garotos; e o restante dividiu a atenção entre as duas imagens.
Outra pesquisa da mesma equipe mostrou que, enquanto brincavam, as meninas de 1 ano olhavam para a mãe 37,5% mais vezes do que os meninos, demonstrando maior interesse pelo estabelecimento de contato pessoal. A sensibilidade ao toque também parece mais acentuada entre as garotas, enquanto eles tendem a se movimentar muito e apreciam espaços amplos para suas brincadeiras. São diferenças sutis, mas que pouco têm a ver com as influências da cultura e do ambiente.

O que os pais podem fazer

MENINOS O fato de os meninos interagirem menos não significa que não precisem de carinho. Quando estiver com seu filho, tente imaginar como você agiria se ele fosse uma menina. Se perceber uma tendência a mudar de comportamento, a ficar mais carinhosa, então é possível que você esteja dando ao pequeno menos carinho do que poderia.

MENINAS É importante estimular as garotas a brincar ao ar livre e praticar atividades físicas. “Jogos e desafios em diferentes espaços ajudam a desenvolver a orientação espacial”, diz Isabel Kahn Marin, professora de psicologia da PUC-SP.
AMBOS O toque é importante para todas as crianças. Enquanto amamenta, busque contato visual com seu bebê. Cante para ele, converse e brinque de fazer caretas para ajudá-lo a aprimorar a capacidade de relacionamento.


APRENDIZAGEM SOB MEDIDA

Suspeita-se que o desenvolvimento cerebral mais lento nos meninos reflete-se sobre sua coordenação motora fina e maturidade intelectual. No início da escolaridade, eles estariam de 6 a 12 meses atrasados em relação às meninas. Com base nesse dado e em sua experiência profissional, Steve Biddulph defende que os garotos entrem na escola um ano mais tarde. Ele também cita exemplos bem-sucedidos de escolas australianas que separam meninos e meninas na hora de ensinar matérias como matemática e línguas. “Na pré-adolescência, os garotos parecem se expressar verbalmente melhor quando não há mulheres em volta, e as meninas se soltam mais quando não estão ao lado deles”, constata.

“A maneira de explicar algumas matérias deveria ser diferente para cada sexo, considerando que as meninas usam uma forma de lógica mais verbal, e os meninos mais dedutiva”, concorda Ceres Alves de Araújo, professora de psicologia da PUC-SP. A ênfase está no respeito às diferenças. “Educar igual não significa dizer as mesmas coisas para ambos, mas, sim, respeitar igualmente as características de cada sexo”, completa a psicóloga Elizabeth Brandão, de São Paulo.
Do ponto de vista neurológico, também é possível estimular as habilidades em defasagem. “Só é preciso tomar cuidado para não criar rejeições”, ressalta Vilanova. Como as pessoas procuram se esquivar daquilo que acham difícil, a abordagem que se faz de cada assunto torna-se extremamente importante. “O ideal é estimular igualmente meninos e meninas em todas as áreas e habilidades para que eles façam as suas escolhas e desenvolvam naturalmente suas aptidões”, completa Ceres.

O que os pais podem fazer

MENINOS Eles, em geral, precisam de explicações lógicas e detalhadas. Caso os pais percebam uma grande dificuldade do filho em acompanhar os estudos, convém negociar com a escola. “É melhor atrasar um ano na escolaridade do que obrigar a criança a conviver com a sensação de estar sempre em defasagem em relação à classe”, defende Biddulph. A tese é polêmica, mas, segundo o terapeuta, forçar os garotos a permanecer sentados e a escrever quando eles ainda não têm a maturidade necessária é condená-los a se sentirem infelizes e a crescer odiando a escola.

MENINAS Se a educação na escola é padronizada, em casa não precisa ser. “Meninas entendem frases complexas e conseguem intuir as explicações”, diz Ceres. Isso porque sua capacidade de integrar informações verbais é maior. Elas vão entender melhor tudo o que fizer parte de uma história, inclusive explicações de matemática e de física.
AMBOS As brincadeiras entre os sexos devem ser estimuladas. “O aprendizado da sociabilidade passa pelo contato com o diferente”, ressalta Isabel Kahn. Ao lidar com a diversidade, os meninos aprendem a controlar a agressividade e são obrigados a aperfeiçoar a linguagem. Já as meninas descobrem como usar a agressividade e se defender.

BRINCAR DE BOLA OU DE CASINHA?

No primeiro ano de vida, as brincadeiras de ambos os sexos são parecidas. Mas perto dos 2 anos, quando começam a fantasiar seus futuros papéis sociais, os meninos já mostram clara predileção por brincadeiras “masculinas”, e as garotas por brincadeiras “femininas”. Para Cohen, a idéia de que apenas a influência social determina a escolha dos brinquedos é improvável, uma vez que crianças de 2 anos, apesar de preferirem os brinquedos típicos de cada sexo, ainda não conhecem os estereótipos – nas pesquisas, ao serem questionadas, elas não sabem diferenciar brinquedos “de menino” e “de menina” e são capazes de sugerir bonecas e carrinhos para meninos ou meninas, indistintamente.

Já Maria Ângela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura, Estudos e Pesquisas do Brincar da PUC-SP, acredita que essas preferências são, sim, influenciadas pelo tipo de brinquedo e estímulo oferecido pelos pais. Tanto que, segundo ela, como os papéis femininos e masculinos vêm se alterando, não é incomum hoje ver um menino brincar de boneca. “Ele provavelmente está repetindo uma situação que presencia em casa”, afirma. Da mesma forma, há cada vez mais meninas interessadas em atividades físicas, jogos e patinetes. Essas mudanças mostram que os dois sexos possuem competências múltiplas, que só precisam de incentivos variados para se desenvolver.

O que os pais podem fazer

MENINOS Deixar disponíveis bonecos em geral, espadas e carrinhos é um convite para jogos que exercitam a fantasia.

MENINAS Favoreça atividades ao ar livre e brinquedos de montar, que mobilizam a capacidade de abstração.
AMBOS A variedade de brinquedos e brincadeiras em qualquer idade é fundamental para estimular múltiplas habilidades. Mas deve-se respeitar as preferências. “Obrigar o garoto a brincar de boneca para que no futuro seja um bom marido não tem nada a ver”, diz Isabel. O que os pais podem fazer é propor situações e brincadeiras variadas. Para conquistar a simpatia dos pequenos para uma atividade nova, nada melhor do que brincar junto. “Brincar com os pais acalma, tranqüiliza e concentra as crianças”, garante a psicóloga.

** STEVE BIDDULPH

Há diferenças entre meninos e meninas desde o nascimento? 

Os meninos têm um desenvolvimento mais lento por causa da influência dos hormônios masculinos no crescimento do cérebro dentro do útero. A defasagem é de cerca de três semanas no nascimento, o que significa que eles precisam de mais conversas, músicas e estímulos sociais para “ligar” sua sociabilidade. Eles também interagem menos do que as garotas. Mas todos os bebês necessitam de amor, conversas divertidas e cuidados.

As meninas são mais preparadas emocionalmente do que os garotos? 

O cérebro feminino conecta melhor sentimentos e palavras. É mais fácil para elas fazer amigos, resolver conflitos e expressar necessidades. Os garotos normalmente não expressam os seus sentimentos com clareza, o que dificulta para os pais a percepção do que vai mal.

Por que seu livro foca os meninos?

Notamos que os adolescentes homens morrem três vezes mais do que as meninas por causas previsíveis e evitáveis, como violência, acidentes de carro e suicídios… Eles também vão pior na escola e, em todo o mundo, já se tornaram minoria nas universidades. Isso não deveria ser um problema – parabéns para as garotas! – se todos que trabalham com garotos não sentissem também que eles não estão atingindo seu potencial. O que queríamos descobrir era por que os nossos meninos hoje estão menos motivados, confiantes e felizes.

Como estimular as áreas em que cada sexo é mais deficiente? 

Oferecendo às crianças todas as experiências, mas separadamente. As meninas devem aprender artes marciais e o uso da força, e os garotos a preparar refeições, mas não da mesma maneira. A minha mensagem mais prática é que todo menino, dos 9 anos em diante, deve cozinhar receitas interessantes uma vez por semana. É uma experiência que faz com que se sintam orgulhosos e úteis. Uma grande lição de vida.


SUGESTÕES DE LEITURA

O que está nas livrarias para ajudar você a aprofundar o tema.

Criando Meninos, Steve Biddulph (Fundamento)
Criando Bebês, Howard Chilton (Fundamento)

Diferença Essencial – A Verdade Sobre o Cérebro de Homens e Mulheres, Simon Baron-Cohen (Objetiva)

** matéria retirada da revista Claudia Bebê de Jan/11
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